BYD Dolphin GS: análise completa do hatch elétrico de 291 km que custa R$ 10 mil a menos que o SE
O Dolphin GS, versão de entrada da família, tem 95 cv, bateria de 44,9 kWh e 291 km de autonomia por R$ 149.990. Veja o que ele oferece e quando vale mais pagar pelo SE ou pelo Plus.
O BYD Dolphin foi o carro que mostrou a muitos brasileiros que um elétrico podia caber no orçamento de quem compra um hatch bem equipado. Hoje ele já não está sozinho na família: abaixo dele está o Dolphin Mini, acima ficam o Dolphin Special Edition e o Dolphin Plus. Mesmo assim, a versão de entrada, chamada GS, segue entre os elétricos mais emplacados do país. Ela custa R$ 149.990 e oferece 95 cv, bateria Blade de 44,9 kWh e 291 km de autonomia no padrão do Inmetro.
Esta análise se baseia na ficha técnica oficial da BYD Brasil (revisada em julho de 2026) e em reportagens da imprensa especializada. Cobrimos preço, desempenho, bateria e custo de recarga, espaço, equipamentos e segurança. Também explicamos o que separa o Dolphin GS do Special Edition e do Plus, e para quem a versão mais simples ainda é a melhor compra.
BYD Dolphin GS na cor cinza, com detalhes laranja no para-choque e na lateral. Foto: Divulgação/BYD
Preço e versões: onde o Dolphin GS fica na família
O Dolphin é vendido em versão única, a GS. A linha 2026 manteve o preço sugerido de R$ 149.990 e ganhou itens que os donos cobravam desde o lançamento. Em julho de 2026, um levantamento do Vrum mostrou a família assim:
- Dolphin Mini: R$ 104.800
- Dolphin GS: R$ 149.990, com 95 cv, 44,9 kWh e 291 km (Inmetro)
- Dolphin Special Edition: R$ 159.990, com 177 cv, 45,12 kWh e 272 km (Inmetro)
- Dolphin Plus: R$ 184.800, com 204 cv, 60,48 kWh e 330 km (Inmetro)
Como referência de mercado, a Tabela FIPE de setembro de 2026 avaliava o Dolphin EV GS zero-quilômetro em R$ 147.668. Vale pedir mais de uma cotação.
O Dolphin continua sendo um dos elétricos mais vendidos do Brasil. Em agosto de 2026, o Dolphin (o ranking não deixa claro se o número inclui o Special Edition) somou 6.740 emplacamentos e ficou em 2º lugar entre os elétricos, atrás apenas do Dolphin Mini, segundo a Webmotors.
Motor e desempenho
O motor elétrico fica no eixo dianteiro e rende 95 cv e 180 Nm (18,4 kgfm) de torque. Segundo a ficha, o hatch acelera de 0 a 100 km/h em 10,9 segundos e chega a 150 km/h de velocidade máxima. São números modestos, mas o torque imediato do motor elétrico ajuda na cidade. Na estrada, as retomadas exigem mais planejamento do que no SE ou no Plus.
- Tração: dianteira
- Modos de condução: Eco, Sport e Neve
- Suspensão: McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira
- Freios: disco ventilado na frente e disco sólido atrás, com sistema de freio inteligente (IPB) e frenagem regenerativa coordenada
- Pneus: 195/60 R16, perfil mais alto que ajuda no piso ruim
Diferentemente do SE e do Plus, que usam suspensão traseira multilink, o GS tem eixo de torção, solução mais simples. Em compensação, os pneus de perfil 60 tendem a filtrar melhor buracos do que o conjunto aro 17 dos irmãos.
Bateria, autonomia e recarga
A bateria é a Blade, da própria BYD, de lítio-ferro-fosfato (LFP), com 44,9 kWh. Essa química é conhecida pela durabilidade e pela boa resistência térmica. A autonomia oficial no padrão PBEV, do Inmetro, é de 291 km. É o número mais realista, porque o ciclo brasileiro é mais rigoroso que o europeu WLTP e o chinês CLTC, que divulgam valores maiores. Na cidade, com a frenagem regenerativa, é comum superá-lo; em rodovia, o alcance tende a ficar abaixo.
Um detalhe curioso: o GS tem mais autonomia que o Dolphin SE (272 km), mesmo com bateria praticamente do mesmo tamanho. O motor menos potente, o carro mais leve (1.405 kg contra 1.485 kg) e as rodas menores explicam a vantagem.
Tempos de recarga
- Corrente alternada (AC): até 6,6 kW. Num wallbox compatível, uma carga completa leva, em teoria, cerca de 7 horas (44,9 kWh ÷ 6,6 kW), o que cabe numa noite.
- Corrente contínua (DC): até 60 kW em carregadores rápidos. A ficha não informa o tempo de 30% a 80%. Na prática, ele será maior que o do SE e do Plus, que aceitam 80 kW.
O Dolphin também tem a função VTOL (vehicle-to-load), que permite usar a bateria do carro para alimentar aparelhos externos, como uma cafeteira num acampamento.
BYD Dolphin Mini 2027: análise completa do elétrico que virou um dos carros mais vendidos do BrasilQuanto custa rodar
O consumo homologado é de 0,42 MJ/km. Dividindo por 3,6, chega-se a cerca de 0,117 kWh/km, ou 11,7 kWh a cada 100 km, menos que o SE (0,49 MJ/km) e o Plus (0,51 MJ/km). Com tarifa residencial entre R$ 0,80 e R$ 1,00 por kWh, rodar 100 km custa entre R$ 9 e R$ 12. Para comparar, adotamos a seguinte hipótese: um hatch a combustão que faça 12 km/l com gasolina a R$ 6 por litro gasta cerca de R$ 50 na mesma distância. É uma estimativa: o valor real depende da tarifa da sua distribuidora e do uso de carregadores públicos pagos, que costumam cobrar bem mais.
Design e dimensões
O GS mantém o visual original do Dolphin, com linhas inspiradas no golfinho, vincos laterais em forma de onda e lanternas traseiras interligadas por uma faixa. Ele não recebeu a reestilização que estreou no Special Edition, com faróis mais finos e carroceria mais longa.
Traseira do Dolphin GS, com lanternas de LED unidas por uma faixa. Foto: Divulgação/BYD
- Comprimento: 4,13 m
- Largura: 1,77 m
- Altura: 1,57 m
- Entre-eixos: 2,70 m
- Altura livre do solo: 150 mm
- Peso em ordem de marcha: 1.405 kg (peso bruto total de 1.780 kg)
- Porta-malas: 250 litros
- Em caso de furo: estepe temporário
O número que mais chama atenção é o entre-eixos de 2,70 m, muito longo para um carro de 4,13 m. Ele vem da plataforma dedicada a elétricos e é o mesmo do SE e do Plus. Os 150 mm de altura do solo pedem cuidado em lombadas e rampas de garagem mais íngremes. O estepe temporário é um ponto a favor: o Plus traz apenas kit de reparo.
Vista lateral do Dolphin GS branco com teto preto: rodas de 16 polegadas e entre-eixos de 2,70 m. Foto: Divulgação/BYD
Interior e conforto
Por dentro, o desenho do painel segue o tema marinho, com saídas de ar arredondadas e maçanetas que lembram nadadeiras. O assoalho traseiro é plano, sem túnel central, e o espaço para as pernas de quem viaja atrás é o grande trunfo do modelo. Os itens da ficha:
Painel do Dolphin GS, com quadro de instrumentos atrás do volante e central multimídia de 12,8 polegadas. Foto: Divulgação/BYD
- Bancos revestidos em couro ecológico premium
- Banco do motorista com ajuste elétrico em 6 direções; o do passageiro é manual, em 4 direções
- Volante multifuncional com ajuste manual de altura e profundidade
- Carregador de celular por indução com ventilação (50 W, segundo a BYD no lançamento da linha 2026)
- Ar-condicionado digital com filtro PM 2.5
- Tomada 12V e três entradas USB (uma USB-C e uma USB-A na frente, uma USB-A atrás)
- Chave presencial, desbloqueio elétrico do porta-malas e retrovisores com ajuste, desembaçador e rebatimento elétricos
- Fixação Isofix para cadeirinhas infantis
Vários desses itens chegaram só na linha 2026. Segundo o AutoPapo, o modelo era criticado pela falta de ajuste de profundidade do volante, de retrovisores elétricos e de vidros com função um toque em todas as portas. Muitos donos acabavam comprando esses acessórios à parte. A ficha não lista bancos ventilados ou aquecidos nem saídas de ar para o banco traseiro.
Banco traseiro do Dolphin GS, revestido em couro ecológico. Foto: Divulgação/BYD
O porta-malas de 250 litros é o ponto fraco do pacote. O volume é adequado para compras e malas de mão, mas pequeno para viagens em família. Com o encosto traseiro rebatido, o espaço cresce bastante. A ficha do GS não informa o volume nessa configuração.
Porta-malas do Dolphin GS, com 250 litros de capacidade. Foto: Divulgação/BYD
Multimídia e conectividade
- Central multimídia de 12,8 polegadas com sistema DiLink
- Apple CarPlay e Android Auto
- Pacote de dados 4G e atualizações remotas (OTA)
- Comandos de voz com reconhecimento de duas zonas
- Sistema de som com 6 alto-falantes
- Câmera 360°
- Painel de instrumentos de 5 polegadas
O quadro de instrumentos de 5" é pequeno; o SE tem painel de 8,8" e Google integrado. Já a câmera 360° é rara nessa faixa e compensa a falta de sensores dianteiros.
Entradas USB-C e USB-A e tomada 12V no console do Dolphin GS. Foto: Divulgação/BYD
Segurança
O Dolphin GS traz seis airbags: frontais, laterais dianteiros e de cortina para as duas fileiras. Também tem cintos dianteiros com pré-tensionador e limitador de força e alerta de cinto não afivelado em todos os assentos. O pacote eletrônico, que a BYD chama de "ADAS 1", inclui:
- Freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem (EBD) e assistência hidráulica de frenagem
- Controles de estabilidade (VDC) e de tração (TCS)
- Assistente de partida em rampa (HHC)
- Freio de estacionamento eletrônico
- Monitoramento direto da pressão dos pneus (TPMS)
- Controle de cruzeiro convencional (CC)
- Sensor de estacionamento traseiro com 3 radares e câmera 360°
O que a ficha não lista é tão importante quanto o que ela lista. O GS não tem frenagem automática de emergência (AEB), controle de cruzeiro adaptativo, assistente de permanência em faixa, detector de ponto cego nem alertas de tráfego cruzado. Esses recursos de assistência à condução (ADAS de nível 2) estão no Special Edition e no Plus. Para quem roda muito em rodovia, essa é a maior diferença prática entre as versões.
Garantia
- Veículo de uso particular: 6 anos ou 200.000 km
- Veículo de uso comercial: 6 anos ou 100.000 km
- Bateria Blade: 8 anos ou 200.000 km
Cores
- Externas: Dolphin Grey (cinza), Sand White (branco) e Delan Black (preto)
- Internas: Mark Orange e Boba Brown
Os tons de acabamento interno das fotos de divulgação podem não corresponder exatamente às duas opções listadas na ficha brasileira. Confira o interior ao vivo na concessionária.
Dolphin GS x Dolphin SE x Dolphin Plus: qual a diferença?
A pergunta mais comum de quem entra numa loja da BYD é se vale pagar mais pelo SE ou pelo Plus. Resumindo:
Dolphin GS x Dolphin Special Edition (+ R$ 10 mil)
- 177 cv contra 95 cv; 0 a 100 km/h em 8 s contra 10,9 s
- Recarga DC de 80 kW contra 60 kW
- ADAS de nível 2 com frenagem automática e cruzeiro adaptativo
- Visual reestilizado, rodas de 17", suspensão traseira multilink, bancos dianteiros ventilados, painel de 8,8" e Google integrado
- Em troca, o GS tem mais autonomia (291 km contra 272 km) e é mais leve
Analisamos esse modelo em detalhes na nossa análise completa do Dolphin Special Edition.
Dolphin GS x Dolphin Plus (+ cerca de R$ 35 mil)
- Bateria de 60,48 kWh e 330 km de autonomia (Inmetro), recarga AC de 11 kW e DC de 80 kW
- 204 cv e 0 a 100 km/h em 7 s
- Porta-malas de 345 litros, teto panorâmico, bancos aquecidos, sete airbags e ADAS de nível 2
- Em troca, não tem estepe (só kit de reparo) e pesa quase 270 kg a mais
Para baixo, o Dolphin Mini custa cerca de R$ 45 mil a menos, mas é bem menor por dentro.
Concorrentes
O rival mais direto hoje é o Geely EX2, que disputa com o Dolphin o topo do ranking de elétricos. Segundo o Canal VE (março de 2026), ele custa de R$ 123.800 a R$ 136.800 e tem 116 cv, bateria de 39 kWh e 289 km de autonomia (Inmetro). Ou seja, mais potência por menos dinheiro e autonomia parecida; o Dolphin responde com mais espaço interno e câmera 360°. Outros hatches elétricos na mesma conversa são o GWM Ora 03 e o MG4, além do próprio Dolphin SE.
Pontos positivos e negativos
O que agrada
- Autonomia de 291 km (Inmetro), maior que a do Dolphin SE
- Consumo baixo: cerca de 11,7 kWh/100 km
- Espaço traseiro de carro maior, graças ao entre-eixos de 2,70 m
- Câmera 360°, chave presencial e multimídia de 12,8"
- Seis airbags e estepe temporário
- Garantia de 8 anos para a bateria
O que pode melhorar
- 95 cv limitam retomadas na estrada
- Sem frenagem automática de emergência nem outros ADAS de nível 2
- Recarga DC de apenas 60 kW
- Porta-malas de 250 litros
- Quadro de instrumentos de só 5"
- Sem sensores de estacionamento dianteiros
Vale a pena comprar o BYD Dolphin GS?
Depende de como você vai usar o carro. O Dolphin GS é ideal para quem roda principalmente na cidade e na região metropolitana, tem onde recarregar em casa ou no trabalho e quer o máximo de espaço interno e autonomia pelo menor preço entre os Dolphin "grandes".
Já quem faz viagens com frequência deve considerar seriamente os R$ 10 mil a mais do Dolphin SE. A frenagem automática, o cruzeiro adaptativo, o motor de 177 cv e a recarga mais rápida fazem diferença real na estrada, e essa diferença de preço se dilui no financiamento. O Plus faz sentido para quem precisa de mais autonomia e porta-malas maior. Se o orçamento é o fator decisivo, compare com o Geely EX2. Antes de fechar negócio, faça um test drive, simule o custo de recarga com a tarifa da sua distribuidora, confira o IPVA para elétricos no seu estado e cote o seguro.
Ficha técnica: BYD Dolphin GS
- Preço sugerido: R$ 149.990 (linha 2026)
- Motor: elétrico dianteiro, 95 cv e 180 Nm (18,4 kgfm)
- Tração: dianteira
- 0 a 100 km/h: 10,9 s
- Velocidade máxima: 150 km/h
- Bateria: Blade (LFP), 44,9 kWh
- Autonomia (PBEV/Inmetro): 291 km
- Consumo energético: 0,42 MJ/km
- Recarga: 6,6 kW (AC) / 60 kW (DC); função VTOL
- Dimensões (C x L x A): 4,13 x 1,77 x 1,57 m
- Entre-eixos: 2,70 m
- Altura do solo: 150 mm
- Peso: 1.405 kg (ordem de marcha) / 1.780 kg (bruto total)
- Porta-malas: 250 L
- Pneus: 195/60 R16, com estepe temporário
- Suspensão: McPherson (dianteira) / eixo de torção (traseira)
- Freios: disco ventilado (dianteiro) / disco sólido (traseiro)
- Airbags: 6
- Garantia: 6 anos ou 200 mil km (particular) / 6 anos ou 100 mil km (comercial) / 8 anos ou 200 mil km (bateria)
Fontes: ficha técnica oficial do BYD Dolphin (BYD Brasil, revisada em 09/07/2026), Vrum, AutoPapo, Revista Carro, Webmotors, Canal VE e Tabela FIPE (setembro de 2026). Fotos no corpo do texto: BYD Media Center (divulgação). Preços e especificações podem mudar sem aviso prévio; confirme na concessionária.
Heliel Zanelatto é publisher, empreendedor digital e fundador do Code Tech Connect. Especialista em mídia programática e monetização de conteúdo, administra portais editoriais no Brasil e na Europa e acompanha de perto o ecossistema de publicidade digital — do Google AdSense à compra de tráfego em larga escala. Escreve sobre tecnologia, inteligência artificial, veículos eletrificados e finanças pessoais, com a marca de traduzir fichas técnicas e números de mercado em decisões práticas para o leitor. À frente da operação editorial do site, lidera o uso pioneiro de automação e IA com curadoria humana na produção de conteúdo.
