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BYD Dolphin Mini 2027: análise completa do elétrico que virou um dos carros mais vendidos do Brasil

Líder do varejo e entre os três carros mais vendidos do país, o Dolphin Mini chega à linha 2027 com GL e GS separadas por só R$ 1.000. Analisamos autonomia, custo de uso, tecnologia e qual versão comprar.

Heliel Zanelatto Por · · 13 min de leitura
BYD Dolphin Mini branco rodando em uma avenida
O Dolphin Mini na cor Apricity White. Foto: Divulgação/BYD
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Poucos carros mudaram tanto o mercado brasileiro em tão pouco tempo quanto o BYD Dolphin Mini. Lançado em fevereiro de 2024, o pequeno hatch elétrico se tornou, em 2026, o primeiro carro elétrico a liderar as vendas no varejo do país e hoje briga mês a mês com Fiat Strada e VW Polo pelo topo do ranking geral. Em setembro de 2026, foram 9.385 unidades emplacadas.

Nesta análise completa da linha 2027, explicamos as diferenças entre as versões GL e GS, a autonomia real de cada uma, quanto custa recarregar, quais tecnologias ele traz, onde ele economiza e onde deixa a desejar. Tudo com base na ficha técnica oficial da BYD Brasil e em dados de mercado.

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Frente do BYD Dolphin Mini verde com farol de LED

O Dolphin Mini na cor Sprout Green. Foto: Divulgação/BYD

Preços e versões do Dolphin Mini 2027

O Dolphin Mini 2027 é vendido em duas versões, com uma diferença de preço mínima entre elas:

  • Dolphin Mini GL: R$ 118.990
  • Dolphin Mini GS: R$ 119.990

A diferença é de apenas R$ 1.000, e é justamente aí que está a decisão mais importante para quem vai comprar. Por esse valor, a GS entrega bateria maior, mais autonomia, recarga rápida mais potente e mais equipamentos de segurança e conforto. Detalhamos tudo mais abaixo.

A linha 2027 não trouxe mudanças significativas de visual ou mecânica em relação ao modelo anterior. A BYD costuma fazer ações promocionais pontuais. Em setembro de 2026, por exemplo, a versão GL chegou a ser anunciada por R$ 109.990 em condição especial. Vale consultar as concessionárias antes de fechar negócio.

O fenômeno de vendas: de novidade a líder do varejo

Os números ajudam a entender o tamanho do sucesso. Segundo a própria BYD, o Dolphin Mini somou 21.944 unidades em 2024 e 32.459 em 2025. Em fevereiro de 2026, com 4.094 emplacamentos, ele se tornou o primeiro elétrico a ocupar o topo do ranking mensal do varejo no Brasil, o canal de vendas para pessoas físicas.

A liderança se manteve: em julho, o modelo já acumulava cinco meses seguidos à frente no varejo e mais de 35 mil unidades vendidas no ano. Em setembro de 2026, com 9.385 emplacamentos, o Dolphin Mini ficou em terceiro lugar no ranking geral, atrás apenas da picape Fiat Strada e do VW Polo. Considerando apenas automóveis (sem as picapes), ele foi o segundo mais vendido do país.

Feito na Bahia

Parte desse fôlego vem da produção nacional. O Dolphin Mini é montado no complexo da BYD em Camaçari (BA), inaugurado oficialmente em outubro de 2025, ao lado do sedã King e do SUV Song Pro. Em julho de 2026, a fábrica comemorou 100 mil veículos produzidos em nove meses, e o carro de número 100 mil foi justamente um Dolphin Mini.

Motor e desempenho: feito para a cidade

As duas versões usam o mesmo motor elétrico dianteiro, com 75 cv e 135 Nm (13,8 kgfm) de torque. A aceleração de 0 a 100 km/h leva 14,9 segundos e a velocidade máxima é limitada a 130 km/h.

No papel, os números parecem modestos. Na prática, o Dolphin Mini é mais ágil do que sugerem. Como todo elétrico, ele entrega o torque máximo desde a saída, o que faz o carro responder rápido nas arrancadas de semáforo e nas retomadas até 60 km/h, a faixa em que ele passa a maior parte do tempo. Em rodovia, a história muda: ultrapassagens pedem planejamento, e os 130 km/h de velocidade máxima mostram que o foco é o uso urbano.

O motorista pode escolher entre os modos Eco, Normal, Sport e Neve. A frenagem regenerativa (sistema CRBS) recupera energia nas desacelerações e ajuda a ampliar a autonomia no anda e para do trânsito.

Bateria, autonomia e recarga: GL x GS

As duas versões usam a bateria Blade, tecnologia própria da BYD com química de lítio-ferro-fosfato (LFP), conhecida pela estabilidade térmica e pela longa vida útil. O que muda é a capacidade, e isso faz toda a diferença:

  • GL: bateria de 30,08 kWh e 224 km de autonomia (padrão PBEV/Inmetro)
  • GS: bateria de 38,88 kWh e 280 km de autonomia (padrão PBEV/Inmetro)

São 56 km a mais de autonomia na GS, ou 25% a mais, por R$ 1.000 de diferença. Para quem roda em média 40 a 50 km por dia, a GL já permite recarregar a cada quatro ou cinco dias. A GS dá mais folga para imprevistos e viagens curtas entre cidades próximas.

Quanto tempo leva para carregar

Em corrente alternada (AC), as duas versões aceitam até 6,6 kW, padrão dos wallboxes residenciais. Uma carga completa leva, em teoria, cerca de 4h30 na GL e 6 horas na GS, ou seja, cabe numa noite.

BYD Dolphin Mini branco conectado a um carregador

O Dolphin Mini aceita até 6,6 kW em corrente alternada. Foto: Divulgação/BYD

Na recarga rápida em corrente contínua (DC), a GL aceita até 30 kW e a GS, até 40 kW. A recarga de 30% a 80% em um carregador rápido leva cerca de 30 minutos. Não é uma potência alta para os padrões atuais, mas é compatível com a proposta de um carro urbano que recarrega principalmente em casa.

Quanto custa rodar com o Dolphin Mini

O consumo energético homologado é de 0,39 MJ/km na GL e 0,41 MJ/km na GS, o que equivale a cerca de 10,8 kWh e 11,4 kWh a cada 100 km, respectivamente. É um dos índices mais baixos do mercado brasileiro.

Com uma tarifa residencial entre R$ 0,80 e R$ 1,00 por kWh, rodar 100 km custa algo entre R$ 9 e R$ 11. Para comparação, um hatch a combustão que faça 12 km/l, com gasolina na casa de R$ 6 por litro, gasta cerca de R$ 50 para percorrer a mesma distância. São estimativas: o valor real depende da tarifa da sua distribuidora, dos impostos e do horário de recarga.

VTOL: energia para fora do carro

As duas versões contam com a função VTOL (Vehicle to Load), que permite usar a bateria do carro para alimentar aparelhos externos, como uma caixa de som, uma cafeteira ou ferramentas elétricas.

Dimensões, espaço e porta-malas

O Dolphin Mini é um hatch de entrada, com porte entre um Renault Kwid e um Fiat Argo:

  • Comprimento: 3,78 m
  • Largura: 1,72 m
  • Altura: 1,58 m
  • Entre-eixos: 2,50 m
  • Altura livre do solo: 155 mm
  • Peso em ordem de marcha: 1.165 kg (GL) / 1.239 kg (GS)

O entre-eixos de 2,50 m é generoso para um carro tão curto, resultado da arquitetura elétrica, que empurra as rodas para as extremidades. A cabine comporta cinco pessoas, mas o uso confortável é para quatro adultos.

Bancos traseiros do BYD Dolphin Mini com revestimento azul

O banco traseiro, com revestimento em couro ecológico. Foto: Divulgação/BYD

O porta-malas tem 230 litros, volume pequeno, típico da categoria. Com o banco traseiro rebatido, chega a 930 litros. Diferentemente de outros elétricos da BYD, o Dolphin Mini não tem porta-malas dianteiro.

Porta-malas aberto do BYD Dolphin Mini branco

O porta-malas de 230 litros. Foto: Divulgação/BYD

Chassi, freios e pneus

A suspensão é McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, arranjo comum em hatches compactos. Os freios são a disco nas quatro rodas (ventilados na frente, sólidos atrás), com sistema de freio inteligente IPB. As rodas são de liga leve de 16 polegadas, com pneus 175/55 R16. Não há estepe: em caso de furo, o carro traz apenas um kit de reparo.

Tecnologia e multimídia

Interior do BYD Dolphin Mini com painel e bancos dianteiros

A cabine do Dolphin Mini, com painel digital e central multimídia. Foto: Divulgação/BYD

Para um carro dessa faixa de preço, o pacote de tecnologia é um dos grandes trunfos do Dolphin Mini. As duas versões trazem:

  • Central multimídia de 10,1 polegadas com o sistema DiLink da BYD
  • Painel de instrumentos digital de 7 polegadas
  • Apple CarPlay e Android Auto
  • Pacote de dados 4G e atualizações remotas (OTA)
  • Comandos de voz com reconhecimento de duas zonas (motorista e passageiro)
  • Câmera 360°, item raro em carros de entrada
  • Sistema de som com 6 alto-falantes
  • Duas portas USB na frente (uma USB-C e uma USB-A) e tomada 12V
  • Ar-condicionado digital
  • Chave presencial e sensor de estacionamento traseiro
  • Bancos revestidos em couro ecológico
Central multimídia de 10,1 polegadas do BYD Dolphin Mini

A central multimídia de 10,1 polegadas com o sistema DiLink. Foto: Divulgação/BYD

Segurança

Em segurança, as duas versões compartilham uma boa base de assistências eletrônicas: controles de estabilidade e de tração, freios ABS com distribuição eletrônica de frenagem, assistente de partida em rampas, freio de estacionamento eletrônico, monitoramento direto da pressão dos pneus (TPMS), sistema de prevenção de capotamento, sobreposição de freio (que prioriza o freio se os dois pedais forem acionados juntos) e controle de cruzeiro.

A diferença está nos airbags: a GL tem quatro (frontais e de cortina), enquanto a GS soma seis, com os laterais dianteiros.

Um ponto de atenção: o Dolphin Mini não tem o pacote ADAS de nível 2 presente em outros modelos da marca. Não há frenagem automática de emergência, controle de cruzeiro adaptativo nem assistente de permanência em faixa, itens que alguns concorrentes já oferecem.

GL ou GS: qual versão comprar?

Com apenas R$ 1.000 separando as duas, a resposta é quase automática: a GS é a melhor compra. Veja o que ela acrescenta em relação à GL:

  • Bateria de 38,88 kWh (contra 30,08 kWh) e 280 km de autonomia (contra 224 km)
  • Recarga rápida DC de 40 kW (contra 30 kW)
  • Seis airbags, com os laterais dianteiros (contra quatro)
  • Banco do motorista com ajuste elétrico em 6 direções (contra ajuste manual em 4 direções)
  • Volante com ajuste de altura e profundidade (contra apenas altura)
  • Carregador de celular por indução
  • Função "Follow me home", que mantém os faróis acesos por alguns segundos ao sair do carro

A GL só faz sentido se for encontrada com um desconto relevante ou para frotistas que priorizam o menor custo de aquisição e rodam distâncias curtas e previsíveis.

Garantia e uso por motoristas de aplicativo

A BYD oferece 6 anos ou 200 mil km de garantia para o carro de uso particular e 8 anos ou 200 mil km para a bateria Blade. Para veículos de uso comercial, a garantia do carro é de 6 anos ou 100 mil km.

Essa distinção interessa a um público que tem impulsionado as vendas do modelo: os motoristas de aplicativo. O custo por quilômetro muito baixo e a manutenção mais simples que a de um carro a combustão (sem troca de óleo, filtros de combustível ou embreagem) tornam o Dolphin Mini uma ferramenta de trabalho atraente. A ressalva é a autonomia: para quem roda mais de 200 km por dia, a recarga no meio do turno vira rotina.

Cores

O Dolphin Mini é oferecido em quatro cores externas, combinadas com interiores em dois tons de azul:

  • Obsidian Black (preto)
  • Sprout Green (verde)
  • Glacier Blue (azul)
  • Apricity White (branco)

Interior: Dark Blue ou Light Blue.

Traseira do BYD Dolphin Mini verde com lanternas de LED

A traseira com lanternas de LED, na cor Sprout Green. Foto: Divulgação/BYD

Concorrentes

O Dolphin Mini disputa espaço com outros elétricos compactos, como o Renault Kwid E-Tech, e com o próprio irmão maior, o BYD Dolphin. Mas a concorrência mais relevante hoje vem de fora do mundo elétrico: na faixa de R$ 120 mil, o comprador também está olhando para versões de hatches a combustão como VW Polo, Hyundai HB20 e Chevrolet Onix. Não por acaso, o Dolphin Mini já vende mais que modelos tradicionais como HB20 e Mobi no varejo.

Frente aos carros a combustão, o Dolphin Mini perde em autonomia, espaço no porta-malas e liberdade para viajar. Ganha, e por muito, em custo de uso, conteúdo tecnológico, conforto ao dirigir em silêncio e câmbio automático de série (todo elétrico já é automático).

Pontos positivos e negativos

O que agrada

  • Custo por quilômetro muito baixo: cerca de R$ 9 a R$ 11 a cada 100 km recarregando em casa
  • Pacote tecnológico generoso para a faixa: câmera 360°, multimídia de 10,1", OTA e chave presencial
  • Agilidade e silêncio no trânsito urbano
  • Produção nacional, rede ampla de concessionárias e boa oferta de unidades
  • Garantia de 8 anos para a bateria
  • Versão GS custa só R$ 1.000 a mais e entrega muito mais

O que pode melhorar

  • Autonomia de 224 km (GL) e 280 km (GS) limita viagens
  • Porta-malas de 230 litros é pequeno
  • Velocidade máxima de 130 km/h e 0 a 100 km/h em 14,9 s pedem cuidado em rodovias
  • Não tem ADAS de nível 2 (frenagem automática, cruzeiro adaptativo)
  • Sem estepe, apenas kit de reparo
  • Recarga rápida de 30–40 kW é lenta para os padrões atuais

Vale a pena comprar o BYD Dolphin Mini?

Para quem roda principalmente na cidade e tem onde recarregar, em casa ou no trabalho, o Dolphin Mini é hoje uma das compras mais racionais do mercado brasileiro. Ele custa o mesmo que um hatch compacto a combustão bem equipado, gasta uma fração em energia, exige menos manutenção e traz tecnologia de carro mais caro. O sucesso de vendas não é acaso.

Ele não é o carro ideal para quem faz viagens longas com frequência, precisa de um porta-malas maior ou não tem acesso fácil a uma tomada. Nesses casos, um híbrido ou um elétrico com bateria maior faz mais sentido.

Se a decisão for pelo Dolphin Mini, a recomendação é clara: vá de GS. Antes de fechar negócio, faça um test drive, simule o custo de recarga com a tarifa da sua distribuidora, confira as regras de IPVA para elétricos no seu estado (vários oferecem isenção ou desconto) e compare as cotações de seguro.

Ficha técnica: BYD Dolphin Mini 2027 (GL | GS)

  • Preço sugerido: R$ 118.990 | R$ 119.990
  • Motor: elétrico dianteiro
  • Potência: 75 cv
  • Torque: 135 Nm (13,8 kgfm)
  • Tração: dianteira
  • 0 a 100 km/h: 14,9 s
  • Velocidade máxima: 130 km/h
  • Bateria: Blade (LFP), 30,08 kWh | 38,88 kWh
  • Autonomia (PBEV/Inmetro): 224 km | 280 km
  • Consumo energético: 0,39 MJ/km | 0,41 MJ/km
  • Recarga AC: 6,6 kW
  • Recarga DC: 30 kW | 40 kW
  • Dimensões (C x L x A): 3,78 x 1,72 x 1,58 m
  • Entre-eixos: 2,50 m
  • Altura do solo: 155 mm
  • Peso em ordem de marcha: 1.165 kg | 1.239 kg
  • Porta-malas: 230 L (930 L com banco rebatido)
  • Pneus: 175/55 R16
  • Suspensão: McPherson (dianteira) / eixo de torção (traseira)
  • Freios: disco ventilado (dianteiro) / disco sólido (traseiro)
  • Airbags: 4 | 6
  • Garantia: 6 anos ou 200 mil km (uso particular) / 6 anos ou 100 mil km (uso comercial) / 8 anos ou 200 mil km (bateria)

Fontes: ficha técnica oficial BYD Brasil do Dolphin Mini (revisada em 09/07/2026), BYD Brasil, Vrum, Autoo, BNews e Monitor Mercantil. Fotos no corpo do texto: BYD Media Center (divulgação). Preços e especificações podem mudar sem aviso prévio; confirme na concessionária.

Heliel Zanelatto

Heliel Zanelatto

Heliel Zanelatto é publisher, empreendedor digital e fundador do Code Tech Connect. Especialista em mídia programática e monetização de conteúdo, administra portais editoriais no Brasil e na Europa e acompanha de perto o ecossistema de publicidade digital — do Google AdSense à compra de tráfego em larga escala. Escreve sobre tecnologia, inteligência artificial, veículos eletrificados e finanças pessoais, com a marca de traduzir fichas técnicas e números de mercado em decisões práticas para o leitor. À frente da operação editorial do site, lidera o uso pioneiro de automação e IA com curadoria humana na produção de conteúdo.

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