BYD Tan: análise completa do SUV elétrico de 7 lugares e 517 cv que custa menos que os rivais premium
O BYD Tan combina 517 cv, tração integral, sete lugares e bateria de 108,8 kWh. Analisamos preço, autonomia real no Inmetro, recarga, custo de uso, equipamentos e rivais.
O BYD Tan é o SUV de sete lugares mais caro e mais potente da BYD no Brasil. Foi o primeiro carro de passeio da marca vendido por aqui e, desde a renovação de 2024, combina dois motores elétricos, tração integral, bateria Blade de 108,8 kWh e um pacote de equipamentos de modelo premium. Os números que chamam atenção logo de cara são 517 cv, 700 Nm e 0 a 100 km/h em 4,9 segundos, tudo isso em um utilitário que pesa mais de 2,6 toneladas.
A BYD vende o Tan com o slogan de "SUV elétrico de 7 lugares com maior autonomia do país". Nesta análise, feita com base na ficha técnica oficial de 2026 e em reportagens da imprensa especializada (não é um teste de rodagem), conferimos essa promessa com os números do Inmetro e passamos por preço, desempenho, bateria, recarga, custo por quilômetro, espaço, equipamentos, segurança, garantia, rivais e o veredito final.
BYD Tan em movimento em avenida urbana. Foto: Divulgação/BYD
Preço e versões
O Tan é vendido em versão única, com tração integral (AWD). Quando a linha atual chegou, em abril de 2024, o preço sugerido era de R$ 536.800, segundo a AutoData. Desde então o valor caiu bastante:
- BYD Tan EV AWD: a partir de R$ 426,8 mil, valor citado pelo Poder360 em abril de 2026.
- Tabela FIPE (outubro de 2026, zero-quilômetro): R$ 429.964 (código 095001-7).
Não encontramos uma tabela oficial da BYD com o preço atual publicada no site da marca, por isso trate esses valores como referência e confirme na concessionária, onde é comum haver condições promocionais. Mesmo com a queda, o Tan continua sendo um carro de mais de R$ 400 mil, posicionado bem acima dos SUVs elétricos populares da BYD e abaixo dos grandes elétricos de sete lugares das marcas premium.
Motores e desempenho
São dois motores elétricos, um em cada eixo, o que garante a tração integral (AWD). Juntos, entregam:
- Potência máxima: 517 cv
- Torque máximo: 700 Nm (cerca de 71,4 kgfm)
- 0 a 100 km/h: 4,9 segundos
- Velocidade máxima: 190 km/h
- Modos de condução: Eco, Normal, Sport e Neve
Para um SUV de 2.621 kg em ordem de marcha, a aceleração é de esportivo. A suspensão é McPherson na frente e multilink atrás, ambas com amortecimento adaptativo DiSus-C, sistema da BYD que ajusta a firmeza conforme o modo e o piso. Os freios são a disco ventilado nas quatro rodas; o site da BYD informa que o conjunto dianteiro é da Brembo (a ficha não detalha o fornecedor). Os pneus são 265/40 R22, medida grande que privilegia estabilidade e visual, mas tende a deixar a troca de pneus mais cara.
Na imprensa, o comportamento dinâmico é um dos pontos mais elogiados. O teste publicado pelo Instacarro destacou o bom isolamento acústico e a calibração de suspensão que equilibra conforto e esportividade.
Traseira do BYD Tan, com lanterna em LED que atravessa a tampa. Foto: Divulgação/BYD
Bateria, autonomia e recarga
O Tan usa a bateria Blade, de química lítio-ferro-fosfato (LFP), com 108,8 kWh. A autonomia oficial no Brasil, medida pelo PBEV/Inmetro, é de 430 km. No site, a BYD também divulga 530 km no ciclo europeu WLTP. A diferença existe porque o método brasileiro aplica um fator de correção mais conservador sobre o resultado de laboratório, aproximando o número do uso real com ar-condicionado, estrada e trânsito. Por isso, o dado do Inmetro é o mais realista para planejar viagens.
Vale conferir o slogan de "maior autonomia do país" entre SUVs elétricos de sete lugares. Os rivais diretos lançados em 2025 divulgaram números maiores no mesmo ciclo do Inmetro: o Kia EV9 anunciou 434 km (segundo a Revista Carro) e o Volvo EX90, 459 km (segundo o Canal VE). Ou seja, a frase da BYD não se sustenta frente a esses dados; o Tan está no mesmo patamar, mas não é o líder isolado. A vantagem dele está no preço bem menor.
Tempo de recarga
- Corrente alternada (AC): até 11 kW. Em teoria, 108,8 kWh ÷ 11 kW dá cerca de 10 horas de 0 a 100%, sem contar perdas. Na prática, uma recarga noturna em wallbox resolve o uso diário.
- Corrente contínua (DC): a ficha informa até 170 kW. O site da BYD diz que a bateria vai de 30% a 80% em cerca de 30 minutos, citando um carregador de 110 kW.
Entrada de recarga do Tan, com conectores para corrente alternada e contínua. Foto: Divulgação/BYD
Custo de uso (estimativa)
A ficha informa consumo de 0,73 MJ/km. Dividindo por 3,6, chega-se a cerca de 0,20 kWh/km (20,3 kWh a cada 100 km). Com tarifa residencial entre R$ 0,80 e R$ 1,00 por kWh, o custo fica entre R$ 0,16 e R$ 0,20 por km, ou de R$ 162 a R$ 203 a cada 1.000 km.
BYD Dolphin Mini 2027: análise completa do elétrico que virou um dos carros mais vendidos do BrasilPara comparar, imagine um SUV grande a gasolina de sete lugares que faça 8 km/l, com gasolina a R$ 6,30 o litro. Ele gastaria cerca de R$ 0,79 por km, ou uns R$ 790 a cada 1.000 km. É uma conta hipotética, que muda com seu consumo real, o preço da energia e a recarga em eletropostos pagos (bem mais caros que a tomada de casa), mas mostra a ordem de grandeza da economia.
O Tan também tem VTOL (descarga do veículo para carga), que permite usar a bateria para alimentar aparelhos elétricos com um adaptador, útil em acampamentos ou em uma falta de energia.
Design e dimensões
Com quase 5 metros de comprimento, o Tan é um SUV grande de verdade. A reestilização de 2024 trouxe para-choques e grade novos. As medidas da ficha:
- Comprimento: 4,97 m
- Largura: 1,96 m
- Altura: 1,75 m
- Entre-eixos: 2,82 m
- Altura do solo (carregado): 150 mm
- Peso em ordem de marcha: 2.621 kg; peso bruto total: 3.204 kg
- Porta-malas: 235 litros com 7 lugares, 940 litros com 5 lugares e 1.655 litros com 2 lugares
- Pneu furado: kit de reparo (sem estepe)
Os 150 mm de vão livre são pouco para um SUV, o que pede cuidado com valetas e lombadas altas. A ficha não menciona porta-malas dianteiro (frunk). Externamente, há faróis, luzes diurnas e lanternas em LED, farol de neblina traseiro, função "follow me home", teto solar panorâmico e tampa traseira elétrica com abertura pelo pé.
Porta-malas do Tan com a terceira fileira de bancos levantada. Foto: Divulgação/BYD
Interior e conforto
O acabamento é o de um carro de luxo, com bancos em couro legítimo nas cores preta ou marrom. A terceira fileira, porém, é mais indicada para crianças ou trajetos curtos, como já observou a AutoPapo. Destaques da ficha:
- Bancos em couro legítimo
- Banco do motorista elétrico com 8 regulagens, ajuste lombar, memória e afastamento automático
- Banco do passageiro elétrico com 4 regulagens e ajuste lombar
- Bancos dianteiros com aquecimento, ventilação e massagem
- Volante com ajuste elétrico em 4 direções e aquecimento
- Ar-condicionado digital de 3 zonas, com saídas para a segunda e a terceira fileiras e filtro PM 2.5
- Teto panorâmico com cortina
- Iluminação ambiente multicor, retrovisor interno fotocrômico e limpador automático
- Vidros laterais dianteiros laminados
- Fixação de cadeirinha LATCH (compatível com Isofix)
- Carregador de celular por indução e tomada 12V
Cabine do Tan com painel digital, tela central e bancos em couro marrom. Foto: Divulgação/BYD
Segunda fileira de bancos, com acabamento em couro marrom. Foto: Divulgação/BYD
Multimídia e conectividade
- Central multimídia rotativa de 15,6 polegadas com sistema DiLink
- Painel de instrumentos digital de 12,3 polegadas
- Head-up display
- Apple CarPlay e Android Auto
- Comandos de voz com reconhecimento em 4 zonas
- Som Dynaudio com 12 alto-falantes (775 W, segundo a BYD)
- Câmera 360 graus
- Atualizações remotas (OTA) e pacote de dados 4G
- 4 portas USB: frente com 1 tipo C e 1 tipo A; traseira com 1 tipo C e 1 tipo A
Alto-falante do sistema de som Dynaudio na porta. Foto: Divulgação/BYD
Segurança
A ficha lista airbags frontais, laterais dianteiros, laterais traseiros, um airbag entre os bancos dianteiros e cortinas para a frente e para trás. O site da BYD fala em sete airbags no total. O pacote de assistência ao motorista (ADAS) é completo:
- Frenagem automática de emergência (AEB) e alerta de colisão frontal (FCW)
- Controle de cruzeiro adaptativo (ACC) e inteligente (ICC)
- Assistente de permanência em faixa (LKA) e alerta de mudança de faixa (LCW)
- Detecção de ponto cego (BSD) e aviso de abertura de porta (DOW)
- Alertas de tráfego cruzado dianteiro e traseiro (FCTA e RCTA), com frenagem (FCTB e RCTB)
- Alerta de colisão traseira (RCW)
- Reconhecimento de placas (TSR) e farol alto inteligente
- Sensores de estacionamento dianteiros e traseiros (4 de cada lado)
- Controle de estabilidade, prevenção de capotamento, controle de descida (HDC) e monitoramento direto da pressão dos pneus
O que a ficha não lista: monitoramento de fadiga ou atenção do motorista, assistente de centralização em faixa e estacionamento automático. Vale perguntar na concessionária se algum desses recursos está presente.
Garantia
Pela ficha técnica de 2026, a garantia é de 6 anos ou 200.000 km para o veículo e de 8 anos ou 200.000 km para a bateria Blade. Reportagens do lançamento em 2024 citavam cinco anos para o carro, então confirme as condições vigentes no momento da compra.
Cores
- Externas: Snow White (branco), Sand Black (preto) e Mountain Grey (cinza)
- Internas: Black (preto) e Brown (marrom)
Comparação dentro da linha BYD
O Tan é o topo da gama de SUVs elétricos da BYD no Brasil e o único com sete lugares. Quem quer tração integral e aceleração forte, mas não precisa da terceira fileira, encontra uma alternativa mais acessível no Yuan Plus AWD, que é menor e mais leve. Para quem só precisa de um SUV compacto para a cidade, o Yuan Pro custa uma fração do preço. O Tan se justifica para famílias grandes que valorizam espaço, conforto de primeira fileira e um pacote completo de equipamentos.
Também vale saber que a BYD apresentou na China, em 2026, uma nova geração do modelo (lá chamado de Tang). Até a publicação desta análise, não havia confirmação oficial de lançamento no Brasil, segundo o Canaltech.
Concorrentes
Entre os SUVs 100% elétricos de sete lugares vendidos no Brasil, os rivais mais diretos são:
- Kia EV9: lançado em fevereiro de 2025 por R$ 749.990, com 385 cv, bateria de 99,8 kWh e 434 km no Inmetro.
- Volvo EX90: lançado em abril de 2025 por R$ 849.990, com 517 cv e 459 km no Inmetro.
Os preços acima são os de lançamento divulgados pelas marcas. Comparado a eles, o Tan entrega potência igual ou superior e autonomia próxima por um valor centenas de milhares de reais menor. Em troca, os rivais oferecem marcas com mais tradição no segmento premium, e o EV9 tem recarga DC mais rápida.
Pontos positivos e negativos
Pontos positivos
- 517 cv, tração integral e 0 a 100 km/h em 4,9 s
- Sete lugares e porta-malas de até 1.655 litros
- Lista de equipamentos muito completa, com massagem, ventilação, HUD e som Dynaudio
- ADAS abrangente, com ACC, LKA e frenagens de tráfego cruzado
- Bateria LFP com garantia de 8 anos
- Preço bem inferior ao de rivais elétricos de sete lugares
- Função VTOL
Pontos negativos
- Autonomia de 430 km (Inmetro) não é a maior entre os elétricos de sete lugares, ao contrário do que diz o slogan
- Terceira fileira apertada e porta-malas de 235 litros com todos os bancos em uso
- Altura do solo de apenas 150 mm
- Sem estepe, apenas kit de reparo
- Pneus aro 22 tendem a ter reposição cara
- Desvalorização relevante na tabela FIPE nos últimos meses
- Nova geração já apresentada na China
Vale a pena comprar o BYD Tan?
Para uma família grande que roda principalmente em cidade e estrada asfaltada, tem onde carregar em casa e quer um SUV elétrico de sete lugares sem pagar preço de marca alemã ou sueca, o Tan é uma compra que faz sentido. Ele entrega desempenho de esportivo, conforto de carro de luxo e uma lista de equipamentos difícil de igualar pelo valor atual, na casa de R$ 430 mil.
Por outro lado, não é o carro ideal para quem roda muito em estrada de terra (por causa da altura do solo), para quem faz viagens longas com frequência e depende de recarga rápida, nem para quem se preocupa com revenda, já que a nova geração apresentada na China pode pressionar o valor do modelo atual. Se a terceira fileira será usada por adultos com frequência, vale testar o espaço pessoalmente antes de fechar negócio.
Ficha técnica: BYD Tan EV AWD
- Motorização: dois motores elétricos, tração integral (AWD)
- Potência: 517 cv; torque: 700 Nm
- 0 a 100 km/h: 4,9 s; velocidade máxima: 190 km/h
- Bateria: Blade (LFP), 108,8 kWh
- Autonomia: 430 km (PBEV/Inmetro); 530 km (WLTP, segundo a BYD)
- Consumo: 0,73 MJ/km (cerca de 20,3 kWh/100 km)
- Recarga: 11 kW (AC) e 170 kW (DC); VTOL
- Suspensão: McPherson (dianteira) e multilink (traseira), adaptativas DiSus-C
- Freios: discos ventilados nas quatro rodas
- Pneus: 265/40 R22; kit de reparo
- Dimensões: 4,97 m x 1,96 m x 1,75 m; entre-eixos 2,82 m; altura do solo 150 mm
- Peso: 2.621 kg (ordem de marcha); 3.204 kg (bruto total)
- Porta-malas: 235 L (7 lugares), 940 L (5 lugares), 1.655 L (2 lugares)
- Multimídia: 15,6" rotativa; painel 12,3"; HUD; 12 alto-falantes Dynaudio
- Garantia: 6 anos ou 200.000 km (veículo); 8 anos ou 200.000 km (bateria)
Fontes: ficha técnica oficial do BYD Tan (PDF), página do BYD Tan no site da BYD Brasil, AutoData, Poder360, Tabela FIPE (outubro de 2026), AutoPapo, Instacarro, Canaltech, Revista Carro e Canal VE. Fotos no corpo do texto: BYD Media Center (divulgação). Preços e especificações podem mudar sem aviso prévio; confirme na concessionária.
Heliel Zanelatto é publisher, empreendedor digital e fundador do Code Tech Connect. Especialista em mídia programática e monetização de conteúdo, administra portais editoriais no Brasil e na Europa e acompanha de perto o ecossistema de publicidade digital — do Google AdSense à compra de tráfego em larga escala. Escreve sobre tecnologia, inteligência artificial, veículos eletrificados e finanças pessoais, com a marca de traduzir fichas técnicas e números de mercado em decisões práticas para o leitor. À frente da operação editorial do site, lidera o uso pioneiro de automação e IA com curadoria humana na produção de conteúdo.
