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Apple toca US$ 5 trilhões, destrona a Nvidia e se prepara para a despedida de Tim Cook

A Apple se tornou a segunda empresa da história a tocar US$ 5 trilhões e retomou o posto de mais valiosa do mundo, às vésperas da saída de Tim Cook.

Por · · 6 min de leitura
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Cubo de vidro da Apple Store da Quinta Avenida, em Nova York, com pedestres ao redor
Foto: Pexels/Pixabay

A Apple encostou nos US$ 5 trilhões de valor de mercado na terça-feira (28), tornando-se a segunda empresa de capital aberto da história a alcançar a marca. A primeira foi a Nvidia, em 29 de outubro de 2025 — e é justamente a Nvidia que a Apple acabou de ultrapassar na disputa pelo título de companhia mais valiosa do mundo.

O momento não poderia ser mais simbólico. Nesta quinta-feira (30), Tim Cook comanda sua última divulgação de resultados como CEO. Em 1º de setembro, ele entrega o cargo a John Ternus.

O que aconteceu na terça-feira

A marca foi tocada durante o pregão, de forma breve, e não se sustentou até o fechamento. Ainda assim, o número diz muito sobre o ano da empresa:

  • As ações acumulam alta de cerca de 25% em 2026 e perto de 60% em 12 meses.
  • A companhia havia cruzado os US$ 4 trilhões em outubro de 2025 — ou seja, o salto de US$ 1 trilhão levou menos de um ano.
  • Na segunda-feira (27), a Apple já havia retomado da Nvidia a posição de empresa mais valiosa do mundo.

Vale o contexto: valor de mercado é o preço da ação multiplicado pelo número de papéis em circulação. É um marco mais simbólico do que operacional — mas mede bem a confiança de Wall Street.

A virada contra a Nvidia diz algo sobre a IA

A troca de posições entre as duas empresas não é detalhe de placar. Ela resume o debate que dominou o mercado neste semestre.

A Nvidia sobe apenas cerca de 6% no ano e chegou a recuar 17% em relação ao pico de maio, pressionada por dúvidas sobre o tamanho e o retorno dos investimentos bilionários em infraestrutura de IA — as mesmas dúvidas que voltaram à tona nesta semana com a negociação de US$ 250 bilhões entre Nvidia e OpenAI.

A Apple, por outro lado, gasta comparativamente pouco com data centers e ganha dinheiro vendendo aparelhos e serviços. Investidores que estavam desconfortáveis com a história dos hiperescaladores migraram para ela. É irônico: a empresa mais criticada por estar atrasada em IA virou o refúgio de quem desconfia da corrida da IA.

Quinta-feira: a última chamada de Tim Cook

Os resultados do terceiro trimestre fiscal de 2026 saem em 30 de julho, seguidos da tradicional teleconferência com analistas às 17h (horário de Nova York). Será a despedida de Cook no papel de CEO.

A régua está alta. No trimestre anterior, a Apple registrou:

  • Receita de US$ 111,18 bilhões, alta de 16,6% na comparação anual
  • Lucro por ação de US$ 2,01, avanço de 21,8%
  • iPhone em US$ 56,99 bilhões (+21,7%)
  • Serviços em US$ 30,98 bilhões (+16,3%)

O legado de Cook em números

Cook assumiu em 2011, sucedendo Steve Jobs, sob a desconfiança de quem achava que um executivo de operações não conseguiria tocar uma empresa de produto. Os números da transição, divulgados pela própria Apple, contam outra história:

  • Valor de mercado saiu de cerca de US$ 350 bilhões para US$ 4 trilhões — alta superior a 1.000%
  • Receita anual passou de US$ 108 bilhões no ano fiscal de 2011 para mais de US$ 416 bilhões em 2025
  • Base ativa de mais de 2,5 bilhões de dispositivos
  • Mais de 500 lojas físicas e presença em mais de 200 países e territórios
  • Mais de 100 mil funcionários adicionados ao quadro
  • Mais de US$ 1 trilhão em recompra de ações ao longo da gestão

Categorias inteiras nasceram sob sua liderança: Apple Watch, AirPods, Vision Pro, Apple Pay, Apple TV e Apple Music.

Quem é John Ternus

O sucessor é um veterano de 25 anos de casa. Ternus entrou na Apple em 2001, na equipe de design de produto, e virou vice-presidente sênior de Engenharia de Hardware em 2021. Assumiu o hardware do Apple Watch no fim de 2022 e é o rosto que costuma apresentar Mac e iPad nos eventos da empresa.

A escolha foi aprovada por unanimidade pelo conselho e anunciada em abril, como resultado de um processo longo de sucessão. Cook seguirá como presidente executivo do conselho, atuando principalmente na relação com governos e reguladores.

A herança difícil: Siri, memória e preços

Ternus recebe a empresa no auge de valor — e com uma lista de problemas concretos.

1. A Siri redesenhada ainda não chegou. A Apple apresentou a plataforma Apple Intelligence em 2024, mas adiou partes centrais, incluindo a nova Siri. O atraso gerou trocas na cúpula da empresa e continua sendo o exemplo mais visível da distância entre a Apple e as rivais em IA generativa.

2. Falta memória no mundo — e a IA é a causa. A demanda por chips de memória para data centers criou escassez global e encareceu componentes. No mês passado, a Apple subiu os preços de MacBooks e iPads: foi a primeira vez que repassou formalmente esse custo ao consumidor, depois de Cook admitir que os aumentos tinham se tornado inevitáveis.

3. O custo de fabricação sobe em 2027. A TSMC, principal fornecedora de chips da Apple, planeja elevar preços em até 10% a partir de 2027.

Há um sinal de que a companhia se prepara para gastar mais. No último balanço, a Apple abandonou a meta de "caixa líquido neutro" que mantinha desde 2018 e passou a avaliar caixa e dívida de forma independente — movimento que, na prática, libera recursos para investimento pesado, provavelmente em IA.

Apple Upgrade: alugar em vez de comprar

Também na terça-feira, a Apple lançou o Apple Upgrade nos Estados Unidos, um programa de leasing que permite alugar iPhone, Mac, iPad e Apple Watch em vez de comprá-los. Segundo apurações, a operação envolve parceria com a Klarna. A empresa informou que não vai limitar funções dos aparelhos em caso de atraso ou inadimplência.

A leitura de mercado é direta: com aparelhos mais caros, a Apple precisa reduzir a barreira de entrada para manter o volume de vendas.

O que muda para quem está no Brasil

O efeito mais provável no curto prazo é preço. A escassez de memória e o reajuste anunciado pela TSMC pressionam o custo dos aparelhos globalmente — e, no Brasil, esse aumento chega somado a câmbio e tributos. Quem planeja trocar de Mac ou iPad tem argumento para antecipar a compra.

O Apple Upgrade, por enquanto, é exclusivo dos EUA. Programas assim costumam demorar anos para desembarcar por aqui, quando chegam, e dependem de parceria com instituição financeira local.

Para quem investe via BDR ou ETF, o ponto de atenção é o dia 30: será o primeiro balanço em que os analistas vão sondar Ternus sobre o que muda na estratégia — especialmente sobre quanto a Apple pretende gastar em IA.

Este texto é jornalístico e informativo. Não constitui recomendação de investimento.

Fontes: Apple Newsroom, CNBC, 9to5Mac, Yahoo Finance e AppleInsider.

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