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Ridley Scott regressa ao sci-fi com «Na Companhia das Estrelas»

«Na Companhia das Estrelas», novo filme de Ridley Scott, estreia nos cinemas portugueses a 27 de agosto de 2026. Com Jacob Elordi, Josh Brolin e Margaret Qualley, marca o regresso do realizador à ficção científica.

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Cartaz oficial do filme «Na Companhia das Estrelas» (The Dog Stars), de Ridley Scott, distribuído pela 20th Century Studios.
© 20th Century Studios | Fonte: The Movie Database (TMDb). Utilizado para fins editoriais.

O realizador britânico Ridley Scott regressa à ficção científica com «Na Companhia das Estrelas», que estreia nos cinemas portugueses a 27 de agosto de 2026. Distribuído pela 20th Century Studios, o filme marca o reencontro do cineasta de 88 anos com o género que o consagrou, quase uma década depois de «Alien: Covenant» (2017). A produção, com um orçamento de 110 milhões de dólares, transporta o espetador para um mundo pós-apocalíptico devastado por uma pandemia e é protagonizada por Jacob Elordi, Josh Brolin e Margaret Qualley. É uma das estreias mais aguardadas do final do verão nas salas nacionais.

Ridley Scott regressa ao género que o tornou lenda

Poucos nomes estão tão ligados à ficção científica moderna como Ridley Scott. Foi ele quem assinou «Alien — O 8.º Passageiro» (1979) e «Blade Runner — Perigo Iminente» (1982), duas obras que redefiniram a forma como o cinema imagina o futuro e que continuam a influenciar cineastas décadas depois. Por isso, cada regresso de Scott ao género é acompanhado com particular expectativa por parte da crítica e do público.

Desde «Alien: Covenant», em 2017, que o realizador não dirigia uma longa-metragem de ficção científica, ainda que se tenha mantido associado a vários projetos do género na qualidade de produtor. Nesse intervalo, Scott dedicou-se a produções históricas e de grande escala, mostrando um ritmo de trabalho invulgar para alguém que ultrapassou já os 80 anos. «Na Companhia das Estrelas» surge, assim, como um regresso simbólico a um território que o próprio ajudou a moldar.

A história: uma pandemia, um Cessna e uma emissão de rádio

«Na Companhia das Estrelas» — cujo título original é «The Dog Stars» — passa-se nos Estados Unidos, depois de uma epidemia de gripe particularmente mortífera ter dizimado quase toda a população mundial. Os poucos sobreviventes tentam manter-se vivos num cenário hostil, ameaçados por bandos violentos de saqueadores conhecidos como «Reapers».

No centro da narrativa está Hig, um piloto profissional que perdeu a mulher durante a pandemia. Acompanhado do seu fiel cão Jasper, vive uma existência recolhida num hangar de aviões, tendo por companhia um amigo perito em armas. O ponto de viragem chega quando, durante um voo no seu velho Cessna, Hig capta uma misteriosa emissão de rádio. Esse sinal inesperado desencadeia uma viagem em busca da sua origem e, talvez, de uma vida mais segura no interior do país.

A premissa combina os códigos habituais da ficção científica distópica — a sobrevivência, a ameaça constante, a solidão — com uma dimensão mais íntima, centrada no luto e na esperança. Trata-se de um registo que se aproxima de outras obras recentes do género, como «O Céu da Meia-Noite», de George Clooney, cujo argumento foi assinado pelo mesmo guionista.

Um elenco de peso

Um dos maiores atrativos de «Na Companhia das Estrelas» é o seu elenco. O papel de Hig cabe a Jacob Elordi, ator australiano que se tornou uma das figuras mais requisitadas de Hollywood. Ao seu lado está Josh Brolin, no papel de Bangley, um antigo fuzileiro com um conhecimento profundo de armas, e Margaret Qualley, que interpreta Cima, uma jovem médica.

O trio principal é reforçado por nomes de grande craveira, como Guy Pearce, Allison Janney e Benedict Wong, o que confere ao projeto uma densidade dramática assinalável. A conjugação de rostos consagrados com intérpretes em ascensão é uma marca frequente nos filmes de Ridley Scott, habituado a rodear-se de elencos exigentes.

Os protagonistas de um mundo em ruínas

A dinâmica entre as três personagens principais promete sustentar boa parte da tensão do filme. Hig representa o sobrevivente marcado pela perda; Bangley encarna a lei da força necessária para resistir num mundo sem regras; e Cima introduz uma nota de humanidade e de possível recomeço. É nesse triângulo — desconfiança, lealdade e afeto — que assenta o coração emocional da narrativa, mais do que na espetacularidade das cenas de ação.

Bastidores: 110 milhões de dólares e uma rodagem discreta

Com um orçamento de 110 milhões de dólares, «Na Companhia das Estrelas» insere-se na categoria das grandes produções, ainda que a sua rodagem tenha sido mantida sob invulgar discrição. As filmagens decorreram nos Estados Unidos, em Itália e no Reino Unido, e pouca informação foi divulgada durante o processo, o que ajudou a alimentar a curiosidade em torno do projeto.

Com uma duração de aproximadamente duas horas, o filme aposta numa escala visual ambiciosa, coerente com o percurso de um realizador conhecido pelo apuro estético e pela capacidade de construir universos credíveis. Resta saber se Scott conseguirá trazer algo verdadeiramente novo a um formato — o da distopia pós-apocalíptica — que o cinema, a televisão e, mais recentemente, o streaming têm explorado de forma abundante.

Da página ao ecrã: o livro de Peter Heller

«Na Companhia das Estrelas» tem origem literária. O filme adapta um romance do jornalista e escritor norte-americano Peter Heller, transposto para o grande ecrã com argumento de Mark L. Smith. O guionista tem um currículo sólido no que toca a histórias de sobrevivência e a cenários extremos: assinou o argumento de «The Revenant: O Renascido», de Alejandro G. Iñárritu, e de «O Céu da Meia-Noite», também ele um relato de ficção científica pós-apocalíptica.

Essa herança literária ajuda a explicar o tom introspetivo que se antecipa para o filme. Ao contrário de muitas produções do género, mais focadas na ação, a obra de Heller privilegia a interioridade das personagens e a relação do ser humano com a natureza e com a memória — elementos que, a serem preservados na adaptação, podem distinguir «Na Companhia das Estrelas» de outros títulos semelhantes.

Onde e quando ver em Portugal

A estreia nacional está marcada para 27 de agosto de 2026, com exibição prevista nas principais redes de salas do país, incluindo os cinemas NOS, UCI e Castello Lopes. A data coloca o filme numa janela estratégica, aproveitando o final das férias de verão, um período tradicionalmente forte para a bilheteira.

Para os admiradores de Ridley Scott e da ficção científica, «Na Companhia das Estrelas» representa uma das propostas mais interessantes do calendário de agosto. Só as primeiras sessões e a resposta da crítica dirão se o realizador consegue reafirmar, aos 88 anos, o estatuto de referência maior do género. Certo é que, entre o luto de Hig, a ameaça dos «Reapers» e o mistério de uma emissão de rádio no meio do caos, o convite para regressar ao futuro imaginado por Scott dificilmente passará despercebido nas salas portuguesas.

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