Nova temporada de TV: as estreias de setembro em Portugal
Setembro traz o arranque da temporada televisiva 2026/2027 com uma vaga de estreias no streaming e a SIC na liderança das audiências. Saiba o que vem aí na TV e nas plataformas em Portugal.
O regresso da temporada televisiva 2026/2027 começa a ganhar forma e setembro perfila-se como o mês mais intenso do ano em estreias para o público português. Entre as séries internacionais que chegam às plataformas de streaming disponíveis em Portugal e a preparação das novas grelhas dos canais generalistas, os espectadores terão dezenas de novidades para escolher já a partir dos primeiros dias do mês. A SIC chega a este arranque na liderança das audiências, num cenário em que a televisão tradicional e o streaming disputam, cada vez mais, o mesmo tempo de ecrã dos portugueses.
A SIC chega a setembro na liderança das audiências
O panorama televisivo entra na nova temporada com a SIC no primeiro lugar. Em julho de 2026, o canal de Carnaxide fechou o mês com 14,3% de share e uma média de 311,4 mil espectadores, à frente da TVI, com 12,4% e 271,4 mil espectadores, e da RTP1, que registou 11,7% de share e 255,5 mil espectadores. A distância de 1,9 pontos percentuais entre SIC e TVI representou um alargamento face aos meses anteriores, sinal de que a estação de Carnaxide entrou no verão com vantagem confortável.
Os primeiros dias de agosto confirmaram a tendência. A SIC manteve a liderança com uma média de temporada próxima dos 14,1% de share, seguida pela TVI, com cerca de 13,7%, e pela RTP1, nos 11,0%. Houve dias de domínio quase absoluto — a 6 de agosto, a SIC chegou aos 17,0% —, ainda que a TVI tenha conseguido encurtar distâncias em várias jornadas, num verão de concorrência renhida. No segmento da informação, a CNN Portugal mantém a liderança por uma margem mínima sobre a SIC Notícias, enquanto a CMTV se fixa acima dos 5% de share.
Estes números são relevantes porque definem o ponto de partida da batalha do outono. É em setembro que os canais lançam as suas apostas mais fortes de ficção e entretenimento, e a posição de liderança dá à SIC margem para consolidar audiências antes do arranque das grandes estreias nacionais.
As grandes estreias do streaming em setembro
Se os canais tradicionais preparam as suas grelhas, é no streaming que o calendário de setembro se apresenta mais recheado. As principais plataformas disponíveis em Portugal concentram neste mês um conjunto assinalável de estreias e regressos, muitos deles de séries com forte reconhecimento internacional.
Netflix aposta em thrillers, regressos e polémica
A Netflix é, uma vez mais, a plataforma com a agenda mais preenchida. A 3 de setembro chega a segunda temporada de «The Gentlemen: Senhores do Crime», a série derivada do universo de Guy Ritchie. A 8 estreia a quinta temporada de «Fauda», o aclamado thriller israelita, e a 17 chega a quarta temporada da antologia «Monster», desta vez dedicada ao caso Lizzie Borden. O mês fecha com propostas de peso como o reboot «Um Mundo Diferente» (24) e a minissérie espanhola «O Problema Final» (25), reforçando a estratégia da plataforma de combinar títulos de grande escala com produções europeias.
Apple TV, Disney+, Prime Video e SkyShowtime
A Apple TV traz um dos regressos mais esperados: a sexta temporada de «Slow Horses», o elogiado drama de espionagem com Gary Oldman, estreia a 16 de setembro, precedida pelo thriller australiano «Last Seen», a 9. No Disney+, destaque para a segunda temporada de «Chad Powers» (3), enquanto o Prime Video aposta em «Neagley» (16), a série derivada do universo «Reacher». O SkyShowtime lança a segunda temporada de «Terra de Bandidos» (MobLand), a 21, e o AMC Portugal recupera a antologia «The Terror» com «Devil in Silver», também a 21. Os canais STAR completam a oferta com regressos de peso, como «Jack Ryan» e «The Mandalorian», logo no início do mês.
Os canais nacionais preparam a grelha de outono
Setembro é tradicionalmente o mês em que a televisão portuguesa aposta forte na renovação das suas grelhas, com o regresso de programas de entretenimento, novos formatos e a ficção nacional a assumir o papel de principal âncora de audiências. A RTP1 já anunciou o regresso da segunda temporada da série nacional «FELP», e as estações generalistas devem apresentar nas próximas semanas as suas apostas de arranque da temporada, num período em que as novelas continuam a ser o motor central da concorrência entre SIC e TVI.
A ficção portuguesa mantém-se, aliás, como um dos ativos mais valiosos das estações. É nas novelas do horário nobre que se decide grande parte da liderança diária, e a estratégia de estrear conteúdos primeiro no streaming próprio — como a SIC tem feito na Opto — tornou-se uma forma de fidelizar os espectadores mais jovens antes da emissão em antena aberta.
Streaming e TV linear: uma convivência cada vez mais estreita
O calendário de setembro ilustra bem a nova realidade do consumo audiovisual em Portugal. A televisão linear continua a dominar em número de espectadores — as médias mensais da SIC, da TVI e da RTP1 mostram que os canais generalistas mantêm audiências robustas —, mas o streaming ganha terreno como espaço privilegiado para as estreias internacionais e para o público que prefere ver conteúdos a pedido.
Esta convivência não é necessariamente de rivalidade. Os grupos de media portugueses investem nas próprias plataformas e utilizam-nas como complemento da antena, disponibilizando episódios em primeira mão, conteúdos exclusivos e catálogos alargados. O resultado é um ecossistema em que o espectador escolhe não só o que ver, mas também quando e como ver, obrigando os canais a repensar horários, estratégias de fidelização e a própria forma de medir o sucesso de um programa.
O que esperar até ao final do ano
Com a liderança da SIC como pano de fundo e uma vaga de estreias internacionais a chegar em setembro, a temporada 2026/2027 arranca com todos os ingredientes para uma disputa intensa. Nas próximas semanas, a atenção vai virar-se para as apostas de ficção nacional dos canais generalistas, que costumam definir o equilíbrio de forças até ao final do ano. Para o espectador português, o cenário é claramente favorável: raramente houve tanta oferta concentrada num único mês, entre a televisão de sempre e as plataformas que reescrevem, ano após ano, os hábitos de consumo. Setembro será, por isso, um bom termómetro para perceber quem sai à frente na corrida pelo tempo de ecrã dos portugueses.